BLOG | Kiko Mourão


24 de julho de 2009
Eu não sou seu...

Clique na imagem para ampliar ...eu não sou de ninguém!

Você não é minha. Eu não tenho ninguém.

Nós somos livres. INDEPENDENTE FUTEBOL CLUBE.


Ouvindo outro dia essa música da banda Ultraje à Rigor que, diga-se de passagem, gosto muito, me coloquei a pensar sobre como as pessoas tendem a escravizar outras. O ser humano é, por natureza, escravizador. Mas parece-me que conseguimos, pelo menos, dominar esse impulso. Entretanto, em algumas pessoas, essa tendência natural é forte e aparente. E essas pessoas conseguem o que querem das mais variadas formas.

Como funciona o pensamento de um escravizador? Geralmente qem tem essa característica é uma pessoa egocêntrica, que não está acostumada a ter concorrência ou competição e, ainda menos acostumada, a ouvir um NÃO como resposta. E é justamente isso que leva o escravizador a ter essa atitude profundamente irritante. Ele não consegue perceber que no mundo há muito mais coisas do que o seu interesse. Então, ele simplesmente toma posse de algo, alguém ou de uma situação.

E de todas as hipóteses possíveis, a pior delas é a tentativa de tomar posse de alguém. Ora, a palavra INDIVÍDUO foi muito bem inventada e utilizada ao se referir a uma pessoa qualquer. Indivíduo. INDIVIDUAL. Nada além daquela única criatura. Cada um de nós é um. E acima de tudo, devemos compreender que não pertencemos uns aos outros. Não somos donos de ninguém. Apenas compartilhamos interessaes parecidos e/ou confrontamos interesses diferentes.

Quem somos nós para tentarmos controlar a vida pessoal de outro alguém? É incalculavelmente irritante quando alguém tenta controlar as roupas, os gestos e até mesmo as amizades de outra pessoa. Ainda mais irritante quando essa outra pessoa cede às pressões. A vigilância acirrada sobre outra pessoa e o excesso de controle apenas provam imaturidade e insegurança. Mas, acima de tudo, fazem com que o pobre escravo crie aversão àquela situação. Logo, o escravizador pode conseguir o que quer por um tempo, mas não para sempre. Esse tipo de atitude assusta e afasta as pessoas. E então acontece o destino previsível para uma pessoa egocêntrica: a solidão. (o mesmo destino vale para os arrogantes e prepotentes)

É natural querermos que as pessoas à nossa volta sejam parecidas conosco. Afinal, é mais confortável viver em um mundo sem atritos. Às vezes fazemos até pequenos sacrifícios por quem amamos para que o ambiente continue harmônico. Outras vezes, desejamos que nossos amados façam algum sacrifício por nós. Mas é necessário saber separar o ESPORÁDICO da DOENÇA. O controle exercido 24 horas por dia cansa, enjoa, ENOJA!
O escravizador quer a todo momento definir, para o outro, o que é bom e o que não é. Quer controlar os atos, os modos, os hábitos. Estabelece, ao bel prazer, quem entra e quem sai da vida do seu escravo. Cria grandes problemas por coisas sem sentido e envolvem o escravo em uma suave teia de fingimentos, para que a tempestade em copo d'água funcione de modo a atender seus caprichos.

O escravizador, não raro, se faz de vítima em situações que, de tão simples, chegam a ser hilárias. E o seu escravo, cego pela escuridão da paixão (nota: paixão é fogo, é loucura. E assim como o fogo se apaga, a loucura passa), não consegue enxergar as reais intenções daquele que tenta, a todo tempo, comandá-lo. Creio que todos temos um ímã natural. E assim como aguns ímãs atraem as partículas de ferro, outros as repelem. Os escravizadores são as pessoas que repelem. Ninguém quer estar ao lado de pessoas assim, a não ser, é claro, seus escravos.

Este texto nada mais é do que um alerta. Se você é dono de uma personalidade escravizadora, em primeiro lugar: CRIE VERGONHA NA CARA E VÁ CONQUISTAR AS PESSOAS AO INVÉS DE PRENDÊ-LAS. Se você é um escravo: LIBERTE-SE. Você não pertence a ninguém e merece ter um tempo só pra você. Se você não se inclui em nenhuma das opções anteriores, permaneça alerta para que ninguém possa ser capaz de roubar a sua vida com caprichos de criança.

Afinal...

NÓS SOMOS LIVRES! INDEPENDENTE FUTEBOL CLUBE...





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12 de junho de 2009
12 de Junho - Feliz Dia do Comércio

Clique na imagem para ampliar Chegou o dia 12 de Junho.

Para os mais tradicionais: Dia de floriculturas movimentadas, com milhares de rosas, gerânios, violetas, margaridas e outros belos arranjos vendidos. É claro, com um superfaturamento digno de uma obra pública.

Para os mais calmos: Dia de restaurantes lotados, decorados com motivos românticos, luz de velas, e a maioria deles com cardápios especiais.

Para os mais carinhosos: Hotéis ao pé (ou no topo) da serra com reservas esgotadas e diárias a um preço absurdo, que não é cobrado em nenhuma outra época.

Para os mais românticos: Pelúcias e chocolates em formato de coração a um preço tão exorbitante quanto o das diárias de hotéis.

Para os mais calientes: motéis cinco estrelas, com suítes francesas, árabes, inglesas, russas e qualquer nacionalidade que a imaginação permitir. É claro, com pernoite a preços módicos (IRONIA).

Para mim: Apenas uma data. Ridiculamente inventada. Isso mesmo: INVENTADA. Uma data que, ao contrário da comemoração do dia dos namorados em outros países, não tem significado algum.

E é sobre isso que eu quero falar. Não quero, de maneira alguma, destruir o romantismo que cerca os casais vitimados pelos ataques do comércio. Mas vou defender o meu ponto de vista em relação à essa que, para mim, é só mais uma data. Apenas mais um xis no calendário ao se passarem as 24 horas que compõem o dia.

Por que é ridículo? Ora! Onde já se viu? A hipocrisia já faz parte da rotina do Brasil, e no dia dos namorados ela não fica de fora. Casais que mal se olham durante todo o ano, que estão muito ocupados para outras coisas, que traem, que brigam, enfim. Esses mesmos casais são os que gastam rios de dinheiro para que seja feita a prova de um "verdadeiro amor". É incoerente esperar uma data específica para dar um presente.

Pessoas que se amam deveriam se presentear gratuitamente. Sem um motivo específico. Seria uma situação bem mais gotosa. Imaginem: "Por que você me deu um presente?" Resposta: "Porque eu te amo!" Isso é amor. O resto... bem.. vamos por enquanto chamar de RESTO!

Eu soube que existe uma festa, realizada em Contagem, município da região metropolitana de BH, somente para os que não gostam do dia dos namorados. Obviamente, apenas pessoas solteiras. Pena que não descobri o endereço. Seria um prazer estar lá e compartilhar a mesma opinião.

Francamente, não acredito que exista o amor no sentido de namoro, ou casamento. Os namoros e casamentos que deram certo não foram fundados no amor. Foram baseados na amizade, que é uma forma um pouco diferente de amor.

O amor é loucura, fogo, poeira no vento. Ele um dia passa. E a maioria dos casamentos atualmente não tem futuro por que quando o fogo passageiro do amor se apaga, não existe a amizade para sustentar aquela união. A amizade é um amor que nunca morre. E com a amizade andam o respeito, a cumplicidade, o carinho, a gratidão, a felicidade. Já o amor, anda acompanhado pela tristeza, pela dor, pela loucura, pelo sofrimento.

O amor puro e simples (no sentido matrimonial) pode ser comparado à uma droga qualquer: causa dependência, oferece uma sensação temporária e ilusória de prazer, distorce a maneira como vemos a realidade e quando decidimos deixá-lo, sofremos fortes crises de abstinência.

A amizade, associada a pequenas doses de amor, essa sim, é benéfica. Essa segura as pontas de qualquer coisa. É o mais belo sentimento verdadeiro que pode partir de um ser humano. E justamente por trazer respeito, entre vários outros sentimentos bons, a amizade é que sustenta os raros romances duradouros que vemos atualmente.

Por isso eu decidi viver sozinho. Apesar de poucos amigos, cada um deles é responsável por fazer da minha vida uma coisa cada dia melhor. Não sou um conservador no movimento contra a cegueira amorosa. Esses são os recalcados, com os quais já andei um dia. Atualmente estou em uma ala bem mais liberal, que entende os malefícios do amor e cujos membros não se importam por serem solteirões convictos. Acreditamos que é um estilo de vida, como qualquer outro. Para nós, a liberdade é um tesouro muito precioso e entregá-la a outras pessoas é assinar uma sentença contra a própria alma. Aprendemos isso ao longo das experiências da vida e acabamos descobrindo que melhor mesmo é o amor próprio. Esse é sempre correspondido e traz grande crescimento pessoal.

A questão é: O dia dos namorados não possui um significado no Brasil, a não ser um significado comercialmente lógico. Entre o dia das mães e o dia dos pais não existia nada de especial para fomentar o comércio. Então, criou-se o 12 de Junho. E lá se vão as alvoroçadas pessoas gastar rios de dinheiro com presentinhos que, em outras épocas, podem sair até pela metade do preço. Com tanta gente passando fome, não é? É um caso a se pensar.

Se o seu romance é fundado na amizade, dê um presente em qualquer data. E o presente do dia dos namorados é igualmente válido, desde que isento de hipocrisias. Se seu romance é baseado apenas no fogo da paixão, dê um presente mais barato, porque, eu sinto lhe dizer, o seu amor vai acabar mais cedo ou mais tarde!

E aos solteirões que querem aproveitar o que a vida tem de melhor sem se prenderem a outra pessoa, não se importem com as piadinhas do tipo: vai ficar pra titio, vai ficar pra semente, vai passar o dia 12 sozinho. Você não poderia estar em melhor companhia: a sua maravilhosa pessoa.

Viva o amor verdadeiro, mais conhecido como amizade!

Feliz dia do comércio. Sinceros votos de altos lucros.

Aos pombinhos, divirtam-se com moderação, pois já dizia um sábio: Quando a euforia passa, sobra a ressaca! (e estou falando em âmbito financeiro)


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01 de maio de 2009
Falando de cachorros

Clique na imagem para ampliar Quem aqui não gosta de cachorros?

Se não gosta, melhor não me dizer, por que você ganhará um inimigo.

Não existem seres melhores. Eu sou simplesmente fascinado por cães. Se eu pudesse, teria dez ou mais.

Não preciso ficar aqui dizendo as vantagens que a convivência com um cachorro traz, não é? Um lar dividido com cães é, com certeza, mais alegre.

Ao contrário da maioria das pessoas que conhecemos, os cães possuem senso de gratidão e lealdade apuradíssimos. Se for preciso, seu cão morrerá por você, e em hipótese alguma vai esquecerque foi você o responsável por oferecer-lhe comida, abrigo e carinho.

Como acredito que tudo tem dois lados, me coloquei a pensar em qual seria o lado negativo de se ter um cachorro, essa criatura tão perfeita. Até que cheguei à conclusão. O lado negativo é que os cães possuem uma expectativa de vida menos que a dos humanos e, frequentemente, somos obrigados a ver nossos amigos partindo. E não se enganem, a partida de um animal de estimação dói tanto quanto a despedida de qualquer outro membro da família.

Me lembrei de minha cadela Laika, da raça boxer. Ela fez essa grande arte comigo: me deixou no ano passado. Depois de dez anos de cumplicidade, lealdade e amor, Deus quis aquela jóia rara lá em cima. O tipo de cachorro que você nunca mais tem um igual.

Na época, devido ao abalo emocional, não postei meu texto homenagem. Posteriormente, por falta de tempo, também não o fiz. Em seguida, não seria mais viável fazê-lo, pois ficaria sem sentido. Então esperei até a data em que minha delícia completaria seus onze anos de vida, seus onze anos ao meu lado.

Ela era toda especial. Parecia feita sob medida para mim. As quatro patas eram brancas, em alto estilo, como se calçasse sapatinhos. A mancha branca que ia dos olhos até a ponta do focinho dava uma singularidade ao rosto afável e brincalhão

O latido grosso soava como música para meus ouvidos. E ela era gordinha. Céus, como eu adoro cachorro gordo! E ela era babona também. Há quem não goste, mas eu não me importava quando ela vinha babando se esfregar em mim.

Ela fazia tudo diferente. Nenhum cachorro que eu tiver será igual à minha neném, gostosa, ou qualquer outro apelido carinhoso pelo qual eu sempre a tratava. Em nossas longas conversas ela sempre me ouvia atentamente e mesmo sem poder falar a minha língua ela interpretava meus olhos e se aproximava de mim do jeito certo para, sem dizer uma palavra, resolver o meu problema.

Eu sabia o que ela sentia somente de ouvir sua doce respiração. Ela dormia embaixo da janela do meu quarto, roncando como um trator, só por que eu não consigo dormir com roncos. Mas eu ficava com tanta pena de perturbar aquele soninho gostoso que preferia passar eu mesmo a noite em claro do que pedir pra ela ir dormir em outro lugar.

A sádica morte veio nos causar sofrimento e carregou minha Laikinha em seus braços. Nos separamos fisicamente. Um saiu da vida do outro. Mas de um lugar ela nunca saiu e nem sairá: do meu coração. E me sinto no coração dela, onde quer que ela esteja agora. E ela está olhando por mim com aqueles olhinhos atenciosos de sempre.

Laika, te amo eternamente.


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Kiko Mourão
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Mineiro de Belo Horizonte. Estudante de Direito. Além de fazer estágio na área, também trabalha com sua maior paixão: a música.

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