BLOG | Fernanda Machado
28 de agosto de 2009
Histórias de fã
É engraçado como a morte de Michael Jackson angariou ainda mais "fãs" para ele. Digo isso porque, desde que cheguei aqui, em Porto Alegre, nunca ouvi um vizinho escutar MJ.
Vocês sabem que, desde que casos de abuso infantil começaram a estampar as capas de revistas e jornais, muita gente se voltou contra Michael Jackson. Sua carreira chegou praticamente no fundo do poço, mas os fãs mais ardorosos continuaram suas jornadas em adorar e defender seu artista preferido de todas as acusações. Mesmo com a inocência de Michael declarada nos tribunais, a dúvida ainda reinava: Michael Jackson é um pedófilo? Isso acontecia porque a história de vida dele, junto com suas extravagâncias, faziam com que as pessoas continuassem a imaginar como seria sua vida por trás das câmeras.
Então, eis que a história tomou um rumo inesperado: Michael Jackson morre, aos 50 anos de idade. Imediatamente, as pessoas que o condenavam anteriormente, agora o saúdam e ficam tristes com esta perda, tão significante em termos culturais. A hipocrisia, creio eu, faz parte do ser humano, em doses mínimas ou grandiosas.
Voltando a Porto Alegre: já faz mais de mês que MJ morreu, e os vizinhos continuam escutando suas músicas, coisa que nunca aconteceu anteriormente. Será que essas mesmas pessoas não o condenavam, tempos atrás?
Continuando nesta linha de pensamento, falo agora de Xuxa. Mas por que falar de Xuxa, vocês devem se perguntar. Falo de Xuxa porque, nesta semana, ela foi a Rainha. Rainha da falta de noção completa.
A Rainha dos Baixinhos, seguindo a tendência, resolveu abrir uma conta no Twitter. Isso é normal. Cada vez mais artistas estão utilizando essa ferramenta, para ter mais contato com fãs, amigos e poder mostrar um pouco do dia-a-dia.
No entanto, Xuxa mostrou a todos que não entende nada de Netiqueta. Este termo descreve como as pessoas devem se comportar na Internet. A regra mais conhecida é a do Caps Lock: não se deve escrever em caixa alta, porque isso significa gritar.
Mas para Xuxa, escrever com Caps Lock ligado é apenas o seu jeitinho. Não, Xuxa, isso é uma tremenda falta de educação. Significa que você está gritando com seus fãs. Enfim, ela deve ter recebido várias mensagens sobre isso, porque resolveu escrever em caixa baixa. Ok, assunto resolvido, certo? Não, não é bem assim.
A Rainha resolveu colocar sua filha, Sasha, para mandar um recado em seu Twitter. Sasha tem 11 anos, acredito, e escreveu uma palavra de modo errado ("sena"). É claro que isso deixou o povo rindo. Como é que a filha de uma apresentadora super famosa, que tem acesso aos grandes colégios do Rio de Janeiro, escreve uma palavra simples como "cena", de modo errado?
Xuxa, é claro, foi em defesa da filha, mas seu argumento não colou. Disse que Sasha foi alfabetizada em Inglês. Mas como, se ela é brasileira e MORA no Brasil? Será que Xuxa está renegando sua pátria? Será que ela é altamente preconceituosa com o país que lhe deu a glória, a fama e o dinheiro, país este onde ela própria nasceu? Teses de mestrado pipocaram na Internet!
Xuxa brigou com seus seguidores, falando que "sua filha não tem que ficar escutando essas m." (sim, ela disse isso) e resolveu abandonar o Twitter, do jeitinho dela. Aí vem Carolina Dieckmann e Angélica defender o (mal) comportamento da Rainha, o que fez a história ficar ainda mais engraçada e constrangedora. Para a Xuxa, é claro.
Bom, os fãs da apresentadora a defenderam com unhas e dentes. Fã que é fã deve defender seus artistas preferidos, mesmo que eles façam ou falem besteiras?
O bom da história é que textos em caixa alta e falta de educação estão fora do Twitter. Por enquanto. E a música do MJ continua rolando de fundo.
Escrito por Fernanda Machado | Link permanente | Existem 3 comentários |

23 de fevereiro de 2009
Oscar 2009
Na décima edição da Revista Dinâmica, eu e o Chris (Lopo) escrevemos sobre o Oscar 2009 na coluna "Desconstruindo a Arte". Pois bem, a premiação ocorreu ontem, dia 22 de fevereiro. Achei ótima esta data, porque estamos no Carnaval e hoje não tive que acordar cedo para ir para faculdade/trabalho. Todos sabem que o Oscar começa tarde e termina tarde por aqui, por culpa do fuso-horário. Fui dormir às 2 horas da madrugada.
Este ano, o Oscar apareceu repaginado. A começar pela escolha do apresentador. Com certeza foi um ponto para a premiação, pois Hugh Jackman, o homem mais sexy do mundo, fez muito bem o seu papel. Para quem não sabe, ele não é apenas o Wolverine: ele canta, dança, sapateia e faz café. E muito bem.
O cenário também estava muito elegante, cravejado de cristais. Algumas novidades: as premiações de atores e atrizes principais e coadjuvantes foram feitas em conjunto. Explico: para cada uma, 5 atores e atrizes, que já ganharam o Oscar nestas categorias, foram escolhidos para falar de cada indicado. Claro, "rasgação de seda" total, mas foi interessante porque foi diferente.
Além dessa novidade, a parte onde escutamos as músicas concorrentes ao oscar de melhor canção original também foi diferente. No final, as músicas foram mescladas, o que deu um bom resultado (apesar do Peter Gabriel não ter aceito cantar a música-tema de Wall-E porque queria cantar a versão original, sem cortes). No entanto, eu até hoje não entendo a questão de escolherem duas músicas de um mesmo filme, sendo que há tantas músicas interessantes de tantos outros filmes para serem escolhidas! Enfim, "Quem quer ser um milionário" ganhou nesta categoria, onde tinha duas músicas concorrendo. Preferia a música de Wall-E.
O que é meio chato no Oscar é que um filme é sempre "pego para Cristo invertido": ou seja, um filme é escolhido como o grande vencedor da noite. Não existe consistência no Oscar.
Neste ano, o escolhido foi "Quem quer ser um milionário", filme de Danny Boyle sobre um indiano que ganha o "Jogo do milhão". O filme ganhou 8 estatuetas, inclusive de melhor diretor e melhor filme. Como mera expectadora, um filme que ganha vários Oscars não me apetece.
Como é de se esperar, o Oscar é o grande "fazedor de injustiça" e que mais tenta corrigir estas, digamos, falhas. Kate Winslet, a melhor atriz de sua geração, foi indicada 5 vezes e nunca ganhou nada. Nem um saco de pipoca. Em sua 6ª indicação, Kate ganhou o Oscar. Fiquei muito feliz por ela, mas ela poderia ter maneirado na hora do discurso: ficar respirando profundamente durante a fala é uma coisa muito chata.
Por fim, achei uma injustiça o Mickey Rourke não ter ganho o prêmio de melhor ator. Até Sean Penn, o ganhador (pelo filme "Milk"), reconheceu a grandeza deste ator, que por tanto tempo ficou adormecido por culpa dele próprio, mas que hoje ressurge das cinzas. No final, acabei ficando com aquele gosto de "não quero mais, porque ano que vem vamos ter mais do mesmo".
E aí, vamos assistir "The wrestler" e deixar esse papo de prêmio de lado?
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29 de dezembro de 2008
O Dilema de Zeca
Acredito que temos uma certa liberdade para escrevermos sobre qualquer assunto em um blog. No entanto, quando é um blog que, digamos, está ligado ao seu trabalho, a coisa muda um pouco de figura. Vou dar um exemplo disso.
Sei que o Brasil inteiro deve conhecer o Zeca Camargo. Não pelo trabalho dele na MTV, e sim porque apresenta o Fantástico, da TV Globo, todos os domingos.
O Zeca também possui um blog no g1.com.br, site da Globo, onde ele fala sobre diferentes assuntos (relacionados à vida pessoal dele - ou não). Uma coisa que me chamou a atenção foi esta matéria do g1, intitulada "Cavaleiro das Trevas é mico por causa dos fãs". Nem por causa do filme do Batman, que não achei lá essas coisas (sim, só fui ver esse filme ontem, em casa). Prestem atenção no lead da matéria:
"Sem ter visto o filme, colunista escolheu 'Hunger' como melhor do ano. A opinião é de Zeca Camargo, colunista do G1."
Pois bem, vamos dissecar as duas frases. O Zeca não viu o filme, mas tomou a opinião geral sobre ele e colocou-o em primeiro lugar na sua lista de melhores do ano. "A opinião é dele". Como? Ele nem tinha visto o filme quando criou a lista!
É lógico que, quando um blog de uma pessoa famosa, ainda mais um jornalista com o Zeca, tem um post desses e a parte de comentários aberta ao público, a coisa pode feder. Muita gente criticou o cara por não ter visto o filme e adorado. Por não ter visto o filme e, mesmo assim, ter colocado o dito-cujo em primeiro lugar de sua lista. Por não ter visto o filme e... ah, você captou a mensagem.
Ah, os fãs do Batman também andaram reclamando do Zeca pela sua atitude um pouco, digamos, infantil sobre o assunto. Isso é opinião deles, não tenho nada a ver com a história.
Depois de levar tanto tapa virtual na cara, o Zeca postou uma longa mensagem em seu blog, intitulada "O melhor filme do ano". Primeiramente, Zeca diz que não esperava a reação que recebeu das pessoas. Depois, chama essa reação de "chilique", dizendo que ninguém se deu ao trabalho de entender o que ele tinha dito. Mesmo parecendo não se importar nos primeiros parágrafos, tenta se explicar nos próximos: por que raios ele escolheu um filme que nunca tinha visto na vida como melhor filme do ano? Bom, agora ele já viu o filme e falou tudo sobre ele. Fácil!
Depois dessa história toda, fico meio amargurada com a cena jornalística no Brasil. Admirava o trabalho dele na MTV. Sei que muito jornalista escreve sobre algo que não estudou, não viveu, enfim. O Zeca teve a coragem (ou cara-de-pau) de assumir que não tinha visto o filme (ainda). Isso é louvável ou altamente questionável por nós, pobre mortais? Fica a pergunta. A resposta é com vocês.
Escrito por Fernanda Machado | Link permanente | Existem 2 comentários |

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